sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Simpson


Antes de começar essa história, preciso de uma breve apresentação. Para os que não me conhecem, atualmente trabalho como repórter/redator/editor em um canal de televisão especializado em esportes de ação (leia-se surfe, skate, bmx, wakeboard, snowboard e qualquer coisa que “aumente a sua taxa de adrenalina no sangue”).

Feito isso, vamos ao que interessa. Em 2007, com pouco mais de 1 mês de casa, me enviaram para o litoral catarinense de Itajaí, na parte norte, com uma pauta na mão, um microfone na outra e um colega camera man.

Era um campeonato de surfe grande, mundial, com vários competidores de todos os cantos do planeta. Uma missão e tanto para um jovem jornalista, ainda na faculdade. Mas nada que a paixão por esse esporte e um pouco de determinação não resolvesse.

Entre as ordens da chefia, uma delas era ir atrás de novos talentos e fazer o que chamamos de short profile, ou em bom português, um rápido perfil do cara. O escolhido foi Brett Simpson, um garoto californiano no auge de seus 22 anos, um a mais do que eu.

O cara pegava bem, com um estilo bastante arrumado e um repertório de manobras que impressionavam, inclusive algumas da nova escola, como aéreos rodando e quilhas para todos os lados.

Acho que todo mundo que vive do surfe deveria ser bem humorado, já que é um emprego maravilhoso, principalmente os que efetivamente pegam as melhores ondas do mundo e ainda ganham para isso. Mas nem sempre isso acontece. Ainda bem que, nesse caso, Simpo me deu muita atenção e fez questão de responder tudo o que eu perguntei na maior boa vontade.

Local de San Clemente, primeira vez em Itajai, há dois anos lutando por uma vaga na elite, nada de canecos, ninguém da família surfando e um começo nada animador, com um primeiro campeonato bem fraquinho, e apenas uma onda surfada. Mesmo assim, ele continuou em busca de seu sonho.

E não é que deu certo?! Em 2009, ele não só conseguiu sua vaga na primeira divisão do surfe mundial, como se inseriu entre os melhores da nova geração. Para completar uma temporada mágica, Brett faturou um campeonato em casa, na praia de Huntington, que, talvez por sorte sua, talvez por competência, entregava um inédito cheque de 100 mil dólares, a maior premiação da história do surfe competição até então…

E você com isso? Talvez quem esteja lendo esse texto deva estar se perguntando isso e o porque de eu estar babando o ovo desse cara. Eu explico. Esse ano, mais precisamente na última semana de Janeiro, fui para mais um campeonato, com o mesmo microfone na mão, uma pauta nova, o camera man e um pouco mais de experiência e confiança.

Novamente, uma das pautas era Brett Simpson, agora com todo o status já mencionado anteriormente. Um excelente pano de fundo para que ele tivesse se tornado mais um desses competidores blazes e de nariz em pé. Ledo engano, o maluco continua maneirão e ainda lembrou da entrevista que eu fiz com ele, há quase 3 anos, sem eu nem mesmo falar do campeonato.

Confesso que fiquei feliz. Dentre os grandes, Simpson foi o primeiro que eu criei algum vínculo, uma das metas de todo o bom repórter, que procura aliados sempre prontos a ajudar na hora que o chefão manda fazer aquela super matéria.

Não me surpreenderia se um norte-americano, deslumbrado com o fato de ser um grande surfista e com alguns mil dólares no bolso não desse a mínima para mim e apenas respondesse meia dúzia de perguntas. Ou nem respondesse…

Felizmente, ele foi simpático, solicito e amigável, exatamente como da primeira vez, quando ainda era um sonhador com uma prancha debaixo do braço perdido no meio da selva brasileira. Para quem ficou curioso sobre o que foi conversado, a segunda entrevista está ai...

E fico na torcida. Primeiro pelos brasileiros, depois por Simpo!

Um comentário:

Lucas disse...

Maneirissima a entrevista Gustavinho. Ta mandando super bem, qnd vai lancar sua revista de surf??
Abraco parceria